11–12 e 18–19
Junho
2016

Torre H

Angelo Venosa
Daniel Albuquerque
Janaina Wagner
Igor Vidor
Anton Steenbock
Thislandyourland

como chegar

A Torre H, construída por Oscar Niemeyer, na Barra da Tijuca, nos anos 1970, jamais foi concluída. O prédio não ocupado aparece como uma espécie de duplo inóspito da torre idêntica que fica ao seu lado, habitada, suscitando questões sobre espelhamento e identidade. A inclusão do edifício também lembrará o público sobre um projeto de Zona Oeste do Rio de Janeiro rascunhado e ensaiado no final do século 20, que não vingou, propondo uma discussão a respeito da recente retomada tentativa de crescimento da Barra, Recreio e adjacências, por conta dos Jogos Olímpicos.

Artistas
que ocuparão
este espaço

Angelo Venosa

Duas propostas distintas, que cortam o prédio e a nós mesmos nos eixos vertical e horizontal. A primeira, uma ação de performance como uma solução para vencer a gravidade. Como levar a água, do térreo ao 37o andar. Através da escada helicoidal, a medida de um copo d'água apenas, passa de um recipiente ao outro por meio dos participantes da ação. No decorrer do exercício, o último a passar a água sobe as escadas para o começo da fila. Sempre em sentido ascendente, até o fim. O segundo trabalho, reserva-se a um cômodo de um apartamento-fatia. Antes mesmo de entrar, o seu olho é direcionado por um túnel escuro, ligado diretamente a uma das janelas de formato único. O olhar é isolado àquele pedaço de vista apenas.

Daniel Albuquerque

Em dois trabalhos distintos, Daniel Albuquerque toma elementos do prédio como objetos disparadores da sua produção. No pilotis, o artista atua sobre uma coluna do prédio de modo a transforma-la em um cigarro e, em paralelo, aproxima dele uma escultura em concreto em forma de cinzeiro. O trabalho entra em uma discussão pictórica e escultórica tributária da história da arte. Mais acima, em um dos apartamentos, Albuquerque expõe trabalhos fotográficos em formato fine art mas cujo conteúdo é proveniente das inscrições na parede da própria Torre H.

Janaina Wagner

A artista propõe três trabalhos para a Torre H. No primeiro, se apropria de uma sala escura de máquinas no último andar do prédio para criar um espaço de projeção onde expõe um vídeo. No segundo, aproveita a circularidade estrutural do prédio para criar um trabalho sonoro no subsolo. No terceiro trabalho, Janaina Wagner usa letras próprias da sinalização de elevadores para criar um aviso de outra natureza.

Igor Vidor

A proposta é tão divertida quanto atordoante. A olhos nus, a Torre H, para aquela parte da Barra da Tijuca, permanece a mais alta edificação. Na cobertura, no trigésimo-sétimo andar, Igor Vidor instala uma cama elástica que desafia novamente a altura e a gravidade. Jogar-se do alto, mas ter onde cair. A possibilidade de estar mais alto, mesmo que por instantes, de todo o resto, e experimentar a paisagem em fragmentos.

Anton Steenbock

Partindo da ideia de uma montanha artificial, Anton Steenbock enxerga a natureza que retoma aquele lugar, o abrigo encontrado. Talvez a remanescente ruína da civilização moderna. Emprestando as formas encontradas naquele lugar, ele cria um possível abrigo para o homem ausente. O último remanescente, um quelônio, cuja couraça estranhamente lembra as formas do seu ninho.

This Land Your Land

Tomando a Torre como um referencial, mas saindo dela para tentar melhor entender a região, a dupla This Land Your Land pesquisa a presença das águas que esculpem o bairro. Mar, restinga e esgoto, e a correlação entre eles dá substância aos seus questionamentos frente ao preenchimento e urbanização acelerados dessa terra.